A geomorfologia de Pelotas, transição entre os sedimentos inconsolidados da Planície Costeira e os terrenos mais antigos do Escudo Cristalino, impõe desafios distintos à análise de estabilidade de taludes. Nas encostas do Porto e arredores do canal São Gonçalo, a presença de solos residuais de granito e a umidade elevada, com médias anuais de precipitação superiores a 1.300 mm, aceleram processos de infiltração e perda de sucção. Em contrapartida, nos bairros da zona norte, como Fragata, aterros sobre camadas de argila orgânica mole exigem verificações de capacidade de suporte para cortes e aterros pouco íngremes. Para essas situações, o suporte de um ensaio CPT fornece a estratigrafia contínua necessária antes de qualquer retroanálise de ruptura, enquanto o ensaio triaxial entrega os parâmetros efetivos de resistência ao cisalhamento exigidos por qualquer simulação rigorosa em Pelotas.
Em Pelotas, a estabilidade de um talude em solo residual não se define apenas pela inclinação: o regime de chuvas e a sucção matricial são determinantes.



